TRIBUNAL CONDENA ANTÓNIO VELOSO A 24 ANOS DE PRISÃO PELO HOMICÍDIO DE ZARINA SUMAR
O Tribunal Judicial condenou, esta quarta-feira, o cidadão António Veloso à pena de 24 anos de prisão maior e ao pagamento de uma indemnização de dois milhões de meticais à família da vítima, no processo relacionado com o homicídio de Zarina Sumar, um caso que comoveu a província da Zambézia e o país.
Na leitura da sentença, o juiz da causa, João Eusébio, considerou provado que o arguido provocou a morte de Zarina Sumar por asfixia mecânica e sufocação directa, tendo posteriormente ocultado o corpo ao lançá-lo nas águas do rio Bons Sinais.
O magistrado aproveitou a ocasião para exortar a sociedade moçambicana a rejeitar todas as formas de violência, sublinhando que os conflitos devem ser resolvidos pelos mecanismos legais e nunca através de actos criminosos.
Após conhecer a decisão do tribunal, António Veloso recusou-se a prestar declarações aos órgãos de comunicação social.
O pai da vítima, Sumar Abdul, manifestou satisfação com a sentença, afirmando que a condenação representa um acto de justiça e de responsabilização pelo crime, embora reconheça que nenhuma decisão judicial será capaz de aliviar a dor causada pela perda da filha.
Em sentido contrário, a irmã do condenado contestou a decisão, alegando que a família considera que o processo não foi suficientemente esclarecido e que a sentença não reflecte a sua interpretação dos factos.
Por seu turno, a representante da Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade (FDC), Érica Timane, saudou a decisão do Tribunal, considerando que a condenação constitui um sinal importante no combate à violência baseada no género e reforça a necessidade de proteger os direitos das mulheres e raparigas em Moçambique.
O caso de Zarina Sumar mobilizou a opinião pública desde o seu desaparecimento e posterior confirmação da morte, tornando-se um dos processos criminais de maior repercussão recente na província da Zambézia.