SOBERANIA ALIMENTAR: CAMPONESES PEDEM QUE INVESTIGAÇÃO AGRÁRIA PRODUZA SEMENTES NACIONAIS
MAPUTO – A dependência de sementes importadas da eSwatini e da África do Sul está a ser apontada como um dos principais entraves ao desenvolvimento da agricultura moçambicana. Durante um debate promovido pela Rádio Voz Coop, representantes dos produtores apelaram ao Instituto de Investigação Agrária de Moçambique (IIAM) para que o país passe a produzir as suas próprias sementes de hortícolas.
O representante da UNAC considerou que a situação actual fragiliza a soberania alimentar nacional e aumenta os custos de produção para os camponeses.
“Hortícolas, este é o nosso calcanhar de Aquiles. O Governo tem que provar, investigar, para termos semente e produzir semente de hortícola aqui em Moçambique”, afirmou.
O dirigente associativo lamentou ainda o impacto económico da dependência externa, defendendo que muitos agricultores investem elevados valores na compra de sementes importadas, mas não conseguem obter retorno suficiente para melhorar as suas condições de vida.
“Dependermos do exterior, infelizmente a nossa agricultura não irá à frente. Quem sempre sofre são os companheiros que fazem agricultura e estão a gastar dinheiro. No fim de tudo, nem bicicleta conseguem comprar porque o dinheiro que investem não retorna”, acrescentou.
Entre as propostas apresentadas durante o debate, destaca-se a criação de bancos de sementes locais, capazes de garantir reservas para os produtores em períodos de crise, sobretudo após cheias severas, quando muitas famílias perdem as sementes e os campos de produção.
Os participantes defenderam igualmente o reforço da investigação agrária nacional, com maior investimento no desenvolvimento de variedades adaptadas às condições climáticas e aos solos moçambicanos, reduzindo a vulnerabilidade do país às flutuações do mercado regional.
Rádio Voz Coop – Informação ao serviço da comunidade.
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