Gruas abandonadas em Maputo representam perigo iminente para munícipes


Gruas abandonadas em Maputo representam perigo iminente para munícipes

Várias gruas instaladas em empreendimentos imobiliários paralisados continuam erguidas em diferentes pontos da cidade de Maputo, constituindo um risco potencial para peões, automobilistas e comerciantes. A permanência destas estruturas metálicas de grande porte, algumas há vários anos sem manutenção, está a aumentar a preocupação da população devido ao perigo de colapso.

Em diversas artérias da capital, obras interrompidas transformaram-se em elementos permanentes da paisagem urbana. Contudo, o maior motivo de inquietação reside nas gruas que permanecem suspensas sobre locais de intensa circulação de pessoas e viaturas, sem que sejam conhecidos os respectivos níveis de segurança.

Na Avenida 24 de Julho, comerciantes informais exercem diariamente as suas actividades debaixo de uma dessas estruturas. Entre eles está Melina Massing, que afirma trabalhar com receio permanente de um eventual acidente.

No bairro da Malanga, um edifício cuja conclusão estava prevista para 2017 permanece inacabado há quase uma década. A grua continua instalada sobre uma das paragens de transporte público mais movimentadas da zona.

Situação semelhante verifica-se na Avenida Marginal, onde uma obra abandonada há cerca de cinco anos mantém igualmente uma grua erguida, apesar de parte da estrutura circundante já apresentar sinais de degradação e desabamento.

Especialista alerta para elevado risco


O especialista em estruturas metálicas, Joaquim Chamo, explica que uma grua deve ser desmontada logo após a conclusão da obra. Caso os trabalhos sejam interrompidos, o equipamento deve ser submetido a inspecções técnicas e manutenção obrigatória de seis em seis meses.

Segundo o especialista, uma grua pode permanecer inoperacional durante vários anos, desde que receba manutenção adequada. Contudo, após cerca de cinco anos sem intervenções técnicas, a estrutura pode tornar-se um perigo significativo.

Entre os principais riscos identificados encontram-se a corrosão dos componentes metálicos, o afrouxamento dos parafusos, a redução da espessura da estrutura e a perda de estabilidade da fundação.

Joaquim Chamo acrescenta que, por razões de segurança, uma grua fora de serviço deve permanecer em "modo catavento", permitindo que a lança acompanhe a direcção do vento e reduza os esforços exercidos sobre a estrutura. Porém, esta configuração raramente é assegurada em empreendimentos abandonados.

Fiscalização cabe aos proprietários e às autoridades


A responsabilidade pela conservação e segurança destes equipamentos pertence aos proprietários das obras. Entretanto, compete ao Conselho Municipal de Maputo e ao Ministério das Obras Públicas fiscalizar o cumprimento das normas técnicas e das licenças de construção.

O Conselho Municipal de Maputo informou que iniciou contactos com os proprietários dos empreendimentos há menos de um ano, tendo emitido notificações para a desmobilização das gruas.

Segundo o município, apenas uma peritagem técnica especializada poderá determinar as condições reais de segurança de cada equipamento, sendo os custos dessa avaliação da responsabilidade dos respectivos proprietários.

Apesar de Moçambique ainda não registar oficialmente acidentes provocados pela queda destas estruturas, cresce o receio entre os munícipes, à medida que o tempo, a corrosão e as condições climatéricas agravam o estado de conservação das gruas.

Enquanto não forem realizadas as avaliações técnicas e removidos os equipamentos considerados inseguros, estas estruturas continuarão suspensas sobre algumas das vias mais movimentadas da cidade de Maputo, constituindo uma ameaça permanente à segurança pública.

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