No âmbito das mobilizações comunitárias levadas a cabo pela Rádio Voz Coop, em parceria com a CESC, na manhã desta segunda-feira a equipa da rádio escalou a Escola Básica de Albasine, na cidade de Maputo, com o objectivo de acompanhar o início do ano lectivo e auscultar a comunidade escolar.
Por: Delta Mutondo
Durante a visita,
constatou-se que a escola ultrapassou a meta prevista de novos ingressos.
Inicialmente estavam disponíveis 290 vagas, mas foram ocupadas cerca de 350,
facto que demonstra uma elevada procura pela instituição. Perante esta
realidade, a escola encontra-se num processo de reorganização e solicita
reforço do Estado para melhorar a gestão e acomodação dos alunos.
Diferente de
algumas escolas visitadas, onde se registaram queixas sobre a fraca procura de
novos ingressos, a Escola Básica de Albasine surpreendeu pelo elevado número de
matrículas, o que, segundo algumas opiniões recolhidas no local, pode também
refletir o aumento da taxa de natalidade.
A encarregada de
educação Nelsa Bernardo conta que acompanha o seu filho diariamente até à
escola e prefere comprar o lanche para o educando, evitando dar dinheiro, para
que a criança não se distraia com outros gastos. Outros encarregados de
educação com quem mantivemos contacto afirmaram que costumam verificar as
pastas dos filhos para garantir que os materiais escolares estejam completos.
Uma das mães
explicou que enfrenta dificuldades na rotina da filha que frequenta a 1ª
classe. A criança entra às 8 horas, mas precisa acordar às 7 devido à distância
e aos meios de transporte disponíveis.
Do lado do corpo docente, a professora Avelina Isaque afirma que as crianças não são problemáticas e destaca que acompanha a mesma turma desde a 1ª classe. Segundo ela, o aproveitamento escolar no ano passado foi bastante positivo.
Em relação às
condições da escola, observou-se que o ambiente de higienização nos pátios é
considerado satisfatório. Contudo, alguns alunos da 1ª classe reclamaram que,
por vezes, as casas de banho encontram-se sujas.
A encarregada de
educação Angelina Novela aconselha outros pais a acompanharem os filhos até à
escola, sobretudo por questões de segurança.
Já a professora Carolina Mathe considera que trabalhar com crianças pequenas exige maior dedicação, pois algumas chegam à escola sem saber sequer escrever o próprio nome, algo que pode estar relacionado com a idade ou com a preparação anterior. A docente deixou ainda um apelo aos professores para que abracem a carreira com vocação, e não apenas pelo retorno financeiro.
Sobre o ensino bilíngue, as opiniões dividem-se entre os encarregados de educação. Uma das mães afirmou não concordar muito com a iniciativa, por ser natural da região centro do país e recear que o filho aprenda uma língua local do sul e venha a ter dificuldades quando estiver na sua terra natal. Por outro lado, outra encarregada defende o ensino bilíngue, considerando importante que as crianças saibam comunicar-se em diferentes contextos e fora das suas zonas de conforto
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