O Porto de Maputo começou a ressentir-se dos efeitos da instabilidade geopolítica no Médio Oriente, registando um agravamento dos custos de transporte marítimo e constrangimentos no manuseamento de mercadorias. Segundo dados avançados pela Miramar News, a Sociedade de Desenvolvimento do Porto de Maputo (MPDC) encontra-se a delinear medidas de contingência com vista a salvaguardar a continuidade e eficiência das operações portuárias.
O arrastamento do impasse nas negociações entre os Estados Unidos da América e o Irão, com particular incidência sobre o estratégico Estreito de Ormuz, está a produzir efeitos em cadeia na logística marítima internacional, com reflexos directos na actividade portuária nacional. De acordo com o director-executivo da MPDC, Osório Lucas, os constrangimentos manifestam-se, sobretudo, no encarecimento do frete e na pressão exercida sobre a cadeia logística terrestre.
“Estes impactos, ainda que moderados, já se fazem sentir: por um lado, no aumento do custo do frete marítimo, influenciado pela subida do preço dos combustíveis; por outro, em atrasos no manuseamento de navios de carga geral, dado que estas operações dependem do escoamento terrestre através de camiões para os armazéns”, explicou o responsável.
Resiliência Operacional e Continuidade dos Investimentos
Apesar do contexto internacional adverso, a administração do porto assegura que os indicadores operacionais se mantêm estáveis. A MPDC sublinha que os accionistas reiteraram o compromisso de prosseguir com o plano de investimentos e com a expansão da infraestrutura portuária, cuja concessão foi recentemente prorrogada até 2058.
“Não registamos, até ao momento, impactos de grande magnitude. Mantemo-nos vigilantes e a preparar respostas adequadas a eventuais desenvolvimentos, mas importa referir que os resultados operacionais continuam positivos”, afirmou Osório Lucas, destacando a capacidade de resiliência do porto face às actuais pressões externas.
Metas de Expansão até 2028 e Reforço do Corredor Logístico
A estratégia de crescimento do Porto de Maputo assenta num robusto programa de investimentos, estimado em cerca de 500 milhões de dólares norte-americanos, destinados à modernização e aumento da capacidade operacional.
“Estamos a falar de um investimento na ordem dos 500 milhões de dólares, em curso, e perspectivamos que o ano de 2028 marque um ciclo de realizações concretas no âmbito desta expansão”, projectou o director-executivo.
As declarações foram proferidas à margem da nona conferência bianual do Porto de Maputo, que reuniu aproximadamente 250 participantes provenientes de diversos países, com destaque para a África do Sul, Zimbabwe e Emirados Árabes Unidos. O encontro centrou-se no reforço da competitividade do Corredor de Maputo, num contexto internacional cada vez mais exigente e volátil.
