Falta de peixe, impacto das mudanças climáticas e milhares de pescadores ainda por licenciar marcam o arranque da campanha de pesca 2026 na província de Maputo, apesar das metas ambiciosas anunciadas pelo Governo.
A campanha foi lançada com expectativas positivas, apontando para uma produção de cerca de 17mil toneladas de pescado, acima das aproximadamente 16.958.2 registadas na época passada. A iniciativa foi liderada pelo Governador da Província de Maputo, Manuel Tule, que destacou o simbolismo e a importância do início da campanha para o sector pesqueiro.
“A abertura da campanha de pesca é um momento que celebramos com grande satisfação, por saber que os pescadores já podem praticar a pesca, capturando aquelas espécies…”, afirmou o governador.
“As expectativas são boas para esta campanha”, afirmou, destacando que a meta passa por aumentar a produção e reforçar a economia dos pescadores.
Cossa reconheceu, no entanto, que persistem desafios no terreno. As autoridades admitem que as mudanças climáticas estão a reduzir a disponibilidade de peixe no mar, obrigando a uma aposta crescente na aquacultura.
“Está mais escasso o peixe no fundo do mar”, admitiu, acrescentando que o foco agora é “produzir em cativeiro”, com expansão de tanques e gaiolas para apoiar os pescadores.
Na campanha anterior foram criados cerca de 50 tanques e 22 gaiolas, estando prevista a instalação de mais infraestruturas este ano para reforçar a produção.
Outro ponto crítico é o cumprimento da veda, considerada essencial para garantir a sustentabilidade dos recursos.
“É preciso cumprir a veda, porque sem isso teremos pescado de tamanho pequeno, sem valor para consumo e comércio”, alertou.
O responsável indicou ainda que a província conta actualmente com cerca de 20 mil pescadores, maioritariamente artesanais, mas nem todos estão devidamente licenciados — um dos principais desafios do sector.
“A nossa preocupação é licenciar todos eles”, reconheceu.
Entretanto, ao nível das comunidades, há reconhecimento dos esforços do Governo, embora persistam preocupações.
“O Governo tem apoiado, apesar das mudanças climáticas que enfrentamos. Tem ajudado com artes de pesca, barcos, e também na sensibilização e formação, tanto na aquacultura como na actividade pesqueira.”
No terreno, os relatos mostram uma realidade desafiante. João Alberto, pescador há 26 anos na zona de Ligamo, descreve as dificuldades actuais da actividade.
“Hoje em dia é um desafio viver da pesca, porque o clima já não favorece como antes. No início eu nem gostava de pescar, mas fui ganhando gosto e acabei por dedicar a minha vida a isso.”
O pescador defende maior apoio ao sector para garantir a continuidade da actividade.
“Queremos mais apoio para os pescadores aqui em Maputo”, apelou.
A campanha de pesca 2026 arranca com um desafio claro: transformar metas ambiciosas em resultados concretos. Para os pescadores, mais do que números, o que está em jogo é a sobrevivência diária — num contexto em que o clima, a falta de recursos e as fragilidades do sector continuam a testar os limites de quem vive do mar.
POR: Fádiga Muhave




