Município de Maputo lança primeira pedra para sistema de drenagem visando mitigar inundações


 O Município de Maputo lançou, nesta quinta-feira (19), a primeira pedra para a construção de um sistema de drenagem de águas pluviais com cerca de 14 quilómetros de extensão, uma infra-estrutura destinada a reduzir, de forma significativa, o problema crónico de inundações que afecta diversos bairros da capital do país.

A obra irá abranger, numa primeira fase, os bairros Polana Caniço “A” e “B”, bem como Maxaquene “B”, “C” e “D”, zonas historicamente vulneráveis à acumulação de águas durante a época chuvosa. Estima-se que o projecto venha a beneficiar cerca de 100 mil famílias, melhorando as condições de habitabilidade e mobilidade urbana.

O empreendimento é financiado pela Agência Italiana de Cooperação para o Desenvolvimento, num montante superior a 54 milhões de euros, e enquadra-se nos esforços do Governo e do Município para reforçar a resiliência urbana face aos fenómenos climáticos extremos.

A cerimónia de lançamento foi dirigida pelo Ministro das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos, Fernando Rafael, que sublinhou que o investimento em drenagem urbana deixou de ser uma simples opção técnica, passando a constituir uma decisão estratégica de protecção das populações e dos seus bens.

Por seu turno, o Presidente do Conselho Municipal de Maputo, Rasaque Manhique, afirmou que o projecto representa uma viragem estrutural na forma como a edilidade enfrenta o problema das inundações, marcando o início efectivo do processo de requalificação urbana nos bairros abrangidos. Segundo o edil, trata-se de um compromisso contínuo com a melhoria das condições de vida dos munícipes.

O Embaixador da Itália em Moçambique, Gabriel Annis, destacou a importância da cooperação entre parceiros internacionais e instituições nacionais, apontando o projecto como exemplo de colaboração orientada para resultados concretos no domínio da infra-estrutura urbana.

A construção deste sistema de drenagem surge num contexto em que a cidade de Maputo enfrenta episódios cada vez mais frequentes e intensos de chuvas, associados às mudanças climáticas. Dados de instituições nacionais, como o Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) e o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), têm vindo a alertar para o aumento da irregularidade dos padrões pluviométricos, com períodos de precipitação concentrada que sobrecarregam os sistemas de escoamento existentes.

Especialistas nacionais indicam que a expansão urbana desordenada, aliada à ocupação de zonas de drenagem natural e à insuficiência de infra-estruturas adequadas, tem agravado o risco de inundações, sobretudo em bairros periféricos.

Neste quadro, o novo sistema de drenagem é visto como uma resposta concreta à necessidade de adaptação climática, visando reduzir os impactos das cheias urbanas, proteger infra-estruturas públicas e privadas, e salvaguardar a saúde das populações.

Apesar disso, analistas defendem que obras desta natureza devem ser acompanhadas por medidas complementares, como o ordenamento do território, educação cívica para evitar o entupimento de valas de drenagem e investimentos contínuos em infra-estruturas resilientes.

Com o arranque desta empreitada, Maputo dá um passo considerado decisivo no enfrentamento de um problema antigo, agravado pelas mudanças climáticas, mas cuja solução exige continuidade, disciplina urbanística e envolvimento de todos os actores sociais.

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