Projecto Famba não está morto, garante Armando Bembele


Projecto Famba não está morto, garante Armando Bembele

Administrador da AMT assegura que dinheiro dos passageiros está salvaguardado e confirma negociações para reactivar o sistema

POR: FÁDIGA MUHAVE



O administrador da Agência Metropolitana de Transportes (AMT), Armando Bembele, garantiu que o sistema de bilhética electrónica Famba não foi abandonado, apesar de se encontrar paralisado há vários anos.

Criado há mais de três anos com o propósito de modernizar o transporte público na Grande Área Metropolitana de Maputo, o projecto Famba tinha como objectivo facilitar o pagamento de viagens, melhorar o controlo de receitas e recolher dados sobre as rotas mais utilizadas, permitindo melhor planificação dos serviços.


Em entrevista concedida à Rádio Voz Coop, Bembele explicou que um dos principais factores que contribuíram para a interrupção do sistema foi a greve dos transportadores, iniciada a 2 de Maio, durante o período da pandemia da Covid-19.

Segundo disse, os operadores contestavam a taxa de 1,5 metical cobrada por cada validação feita no sistema.

“Os transportadores sentiram-se sufocados porque, em cada validação, tinham que pagar 1,5 metical ao sistema. Era um modelo em que o Estado não pagava nada”, afirmou.


Face à contestação, o Ministério dos Transportes e Comunicações orientou a suspensão da cobrança, enquanto se procuravam alternativas.

Com a interrupção dessa fonte de financiamento, a AMT passou a suportar os custos operacionais do sistema, situação que resultou em dívidas acumuladas e no consequente colapso do projecto.

Apesar disso, Armando Bembele assegurou que os valores depositados pelos passageiros permanecem intactos.

“Existe uma conta na nuvem, uma espécie de carteira onde o valor que o passageiro depositava ficava guardado e só era usado para pagar a sua viagem. Esse dinheiro ainda está lá”, explicou.

De acordo com o responsável, encontram-se retidos cerca de três milhões de meticais pertencentes aos utentes. Contudo, para que esses montantes possam ser movimentados, será necessário restabelecer o funcionamento do sistema.

Bembele revelou igualmente que decorrem negociações entre a AMT e a empresa Ametzcom, responsável pelos serviços tecnológicos do Famba, visando encontrar uma solução viável.

“Estamos em negociações para ver quais caminhos seguir. Depois disso, será possível saber quanto cada passageiro tinha no seu cartão”, referiu.



Para garantir a segurança dos valores existentes, foi realizado um processo de cadastramento dos utentes com base no Bilhete de Identidade e contactos telefónicos.

“O dinheiro dos utentes não está perdido. Quando tudo estiver pronto, haverá um mecanismo para informar a todos”, garantiu.

Enquanto prosseguem as negociações para a eventual reactivação do sistema, milhares de passageiros aguardam esclarecimentos sobre a recuperação dos seus saldos. A AMT sustenta que o projecto Famba continua vivo e que decorrem esforços para restabelecer a confiança dos utentes no processo de modernização do transporte público.

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