FALTA DE ACOMPANHAMENTO DOS PAIS TRAVA LEITURA NAS CRIANÇAS.

 


Pais, encarregados de educação, alunos e gestores escolares defenderam o reforço do papel da família na promoção da leitura, no âmbito  do projecto CESC em parceria com a Rádio Voz Coop, durante um debate realizado na Escola Básica de Chamissava, na cidade de Maputo.

Sob o tema “como incentivar as crianças a desenvolver o gosto pela leitura”, os participantes foram unânimes ao afirmar que o hábito de ler não depende apenas da escola, mas começa dentro de casa e exige acompanhamento diário.

O encarregado de educação, Tongane Lourenço, destacou que a leitura é a base de toda a aprendizagem e alertou para a importância da compreensão.

“Se a criança não sabe ler e interpretar, terá dificuldades em todas as disciplinas.”

Na mesma linha, João Luiz chamou atenção para o papel dos pais no acompanhamento escolar, defendendo que a responsabilidade não deve ser deixada apenas para os professores.


“Os alunos passam mais tempo em casa do que na escola. Cabe aos pais complementar aquilo que o professor não consegue fazer.”

Já Sérgio Munhãz considera que o interesse pela leitura ainda é desigual entre as crianças, estimando que apenas metade demonstra gosto pela prática. Como solução, aposta em métodos criativos para despertar o interesse.

“Procuro criar curiosidade, desafiar os meus filhos a descobrir o que está escrito. Isso incentiva a vontade de aprender a ler.”

Entre as mães presentes, Serina Lange defendeu que a leitura deve ser incentivada em diferentes contextos, para além dos livros escolares.

“Qualquer oportunidade deve ser aproveitada para a criança ler, seja um jornal, uma revista ou outro tipo de texto.”

Outra encarregada de educação, identificada como Rosa, apontou a ausência dos pais como uma das principais causas das dificuldades de leitura.

“Há crianças que leem na escola, mas em casa não praticam. A aprendizagem começa em casa.”

Do lado da escola, o diretor explicou que têm sido implementadas medidas de reforço para alunos com dificuldades, incluindo a integração temporária em classes inferiores para consolidar competências básicas.


Tatiana Correia aluna da 7ª classe, partilhou a sua experiência e reconheceu o papel conjunto da família e da escola no seu progresso.

“Aprendi mais quando comecei a prestar atenção nas aulas e a praticar em casa.”

Durante o debate, ficou evidente a preocupação com a fraca participação de alguns encarregados de educação. Para os intervenientes, a falta de tempo não deve ser justificativa para o afastamento

.“É preciso encontrar espaço para acompanhar a vida escolar das crianças.”



Por fim o conselho da escola reforçaram que a educação é a base do desenvolvimento e apelaram ao envolvimento contínuo das famílias.

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