Pais e encarregados de educação da Escola Basica Filipe Saul Tembe, em Katembe, manifestaram preocupação com a falta de livros escolares e o fraco envolvimento de algumas famílias no acompanhamento do processo de ensino e aprendizagem dos alunos, durante um debate realizado na própria escola.
O encontro foi promovido pelo Centro de Aprendizagem e Capacitação da Sociedade Civil (CESC), em parceria com a Rádio Voz Coop.
Durante o debate, vários encarregados de educação relataram dificuldades em apoiar os alunos devido à escassez de material escolar, sobretudo livros.
“Nós ajudamos as crianças nos trabalhos de casa, mas sem livros não temos como ajudar. Por exemplo, Ciências Sociais é complicado para mim, porque não estudei essa disciplina”,
afirmou Virgínia Egas, mãe e encarregada de educação.
Para além da falta de material, foram também levantadas preocupações relacionadas com a segurança no recinto escolar.
Por sua vez, Edson Carlos, pai e encarregado de educação, defendeu uma maior intervenção do Estado, questionando a necessidade de contribuições dos pais para garantir a segurança na escola.
“O guarda faz parte da escola. Não entendemos por que razão os encarregados devem pagar por isso. Essa responsabilidade devia ser do Estado”
Apesar dos desafios, alguns pais destacaram os esforços que têm feito no acompanhamento dos filhos, incluindo apoio nos deveres de casa e incentivo à realização de exercícios adicionais. No entanto,
Edson, apontou ainda o desinteresse de alguns encarregados, que acabam por transferir toda a responsabilidade da educação para os professores.
“A educação não é só tarefa da escola. Começa em casa. Há pais que não acompanham os filhos e deixam tudo para o professor, o que prejudica o desenvolvimento das crianças”
No mesmo diapasão, uma mãe e encarregada, de nome Alcina, Como alternativa à falta de livros, alguns encarregados recorrem às tecnologias para apoiar os estudos.
“Quando não há livros, eles pesquisam na internet e vão anotando no caderno. Tem ajudado”
Os participantes foram unânimes em apelar a um maior envolvimento dos pais na vida escolar dos filhos, defendendo que a educação deve ser uma responsabilidade partilhada entre a família e a escola.
Num ambiente marcado por desafios, a comunidade escolar de Katembe reforça que investir na educação das crianças hoje é garantir um futuro mais sólido para o país, apelando a uma ação conjunta entre pais, escola e Estado.



