Por: Neima Paulo Bila
Na cidade de Maputo, o que devia ser apenas um ponto de trânsito quotidiano transformou-se, nos últimos tempos, num cenário de medo e insegurança. A paragem e terminal de transportes da Zona Verde tem sido palco de assaltos em plena luz do dia, deixando passageiros e comerciantes à mercê de delinquentes cada vez mais ousados.
Segundo relatos de populares, os assaltos ocorrem com frequência, muitas vezes à vista de todos e sem qualquer tipo de contenção. A acção criminosa é atribuída, em grande parte, a grupos de jovens — entre eles “modjeiros” e menores de idade — que permanecem em grande número naquela zona, misturando-se entre os utentes dos transportes e os vendedores informais, o que dificulta a sua identificação imediata por quem ali circula.
Uma vendedora de uma das mercearias nas imediações da paragem, que preferiu manter o anonimato por receio de represálias, partilhou connosco o clima de tensão vivido diariamente no local:
“Esses miúdos estão sempre aqui. Ficam em grupos, observam tudo e, de repente, atacam. Já se tornou normal ver pessoas a serem assaltadas à frente de toda a gente, e ninguém diz nada. Nós, vendedores, não podemos sequer chamar atenção quando vemos isso a acontecer. É perigoso demais”, afirmou a comerciante, visivelmente apreensiva.
De acordo com a mesma fonte, situações como o roubo de telemóveis, a remoção de perucas e até o esfaqueamento das vítimas ocorrem com frequência alarmante.
“Arrancar peruca aqui é coisa de todos os dias. A polícia raramente aparece, e quando vem, já é tarde demais”, lamentou.
A insegurança afecta não apenas os passageiros, mas também os próprios motoristas e cobradores, que muitas vezes optam por manter os vidros das viaturas fechados e alertar os passageiros sobre o perigo da zona.
Este cenário de impunidade levanta sérias questões sobre a presença policial e a necessidade urgente de medidas preventivas para devolver a tranquilidade a um dos terminais de transporte mais movimentados da capital.
Enquanto a insegurança persistir, a Zona Verde continuará a ser um espaço onde o medo dita as regras e a normalidade se esvai a cada passo apressado de quem ali transita.
